A música dizia: "Eu poderia morrer por você". Ela entendeu que, tanto ele a amava que não importavam os desafios da vida, ele faria de tudo para tê-la ao seu lado e protegê-la, mesmo que isso significasse a própria morte.
Ele estava a seu lado quando a música tocou. Ficou pensando que gostaria de saber falar coisas assim para impressionar as mulheres, pensou que o cantor provavelmente devia ter todas as mulheres que desejasse, tamanha era a facilidade para dizer baboseiras românticas.
E assim foi o início do namoro, mas não tem importância porque nenhum dos dois soube o que o outro estava pensando a respeito da música. Na verdade, no início era tudo tão intenso que não fazia a menor diferença, minutos depois a música foi interrompida pelo barulho dos beijos.
Os anos passaram e ele a pediu em casamento, já não queria levar a mesma vida imatura, estava envelhecendo e ela havia sido sua companheira, gostava dela, pensava em ter família, o emprego estava melhor.
Para ela foi extrema felicidade, era como se ele tivesse escrito nos céus o quanto a amava e não conseguiu dormir a noite pensando o quanto tinha duvidado do amor de seu amado, mas eram bobagens de sua cabeça já que agora ele havia se declarado e queria passar a eternidade ao seu lado. Como ele a amava!
Certo dia ela resolveu fazer um jantar especial, já tinha um ano que haviam casado. Esforçou-se na cozinha, preparou uma mesa bonita e esperou o marido. Ele chegou do trabalho, exausto, depois de um dia conturbado. Ela queria que ele se declarasse, agradecesse, e refizesse seus votos matrimonias. Ele queria que ela o deixasse quieto para pensar o que deveria dizer na reunião do próximo dia e pudesse dormir o quanto antes para que nada de ruim pudesse lhe acontecer, ainda, naquele dia.
Ela chorou, se amargurou. Seu marido não havia reparado o cuidado que ela teve na arrumação da mesa, do jantar, sequer abrira o presente que ela deixara estrategicamente posto à beira da cama, para ela ele era um insensível e havia se cansado da vida a dois.
Ele comeu, tomou banho, anotou quais seriam os principais pontos discutidos na reunião do outro dia e foi dormir, estava tão exausto que não aguentaria esperar a esposa, deixou para entregar o presente de aniversário de casamento no próximo dia, quando estivesse sem aquela terrível dor de cabeça.
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terça-feira, 3 de março de 2009
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Crônica do mundo moderno

- um carneirinho, dois carneirinhos, três carneirinhos, quatro carneirinhos... quarenta carneirinhos...
hum... bom... meu nome é Mariana. Quer dizer, claro que voce já sabia, mas como eu ainda não havia me apresentado acho que é melhor assim, talvez dê mais liberdade para conversarmos, né?
Hum. É, na verdade os meus pais devem estar querendo umas horas de paz, longe de mim, então aqui estou eu, mas se não for esse o motivo, então eu não sei o porquê de eu ter vindo.
(cinco minutos depois.)
Você é sempre assim calada? Não, porque não sei se você sabe, mas as vezes o silêncio pode ser algo bastante atormentador. As vezes eu prefiro estar no meio de muitas pessoas que falam e gritam tudo ao mesmo tempo do que estar em um lugar com várias pessoas e pairar aquele silêncio de velório, como quando você espera a sua vez na sala de espera do médico e tudo o que se ouve são os tic-tac do relógio na parede e de vez em quando aquela voz nasal de secretária: "Sra. Mariana... sua vez".
Por falar em médico, ontem eu estive visitando uma amiga minha e ela está tentando entrar na faculdade de medicina... Nossa... Você não faz idéia do tanto que ela está estudando... Na verdade se eu não estivesse aqui eu deveria estar estudando, falei para os meus pais, mas você sabe o que eles me disseram?? Que "a única coisa que você sabe fazer Mari é sentar na frente daquele computador e estourar seus ouvidos com aqueles fones em altissimo volume." Imagina, será que eles não sabem que Internet também é uma riquissima fonte de informações? Ah!, meus pais são bolados de mais!
Não. A verdade é que eu ergo o volume do fone no máximo pra tentar não ouvir as ladainhas do meu pai "Senhor sabe-tudo" e o pior é que mesmo assim ele vai lá e fala, fala, como se eu conseguisse ouvir alguma coisa. Você acredita que uma vez ele me perguntou qual time eu gostava, como eu nem assisto futebol eu disse que não gostava de nenhum, claro! Mas, ao invés de ele captar a minha opinião e pronto, o que ele fez? Ele teve que fazer um exaltado discurso, me dizendo o quanto absurdo era isso, que no país do futebol, numa familia inteira de Palmeirenses e blá blá blá. Agora eu te pergunto, se ele queria dizer que eu tenho que torcer para o Palmeiras não precisava ter pedido minha opinião. Mas se o que ele realmente queria era a minha opiniao, ele devia ter ouvido e respeitado, nós não estávamos na final do campeonato!
E então, o que você faria se estivesse no meu lugar? Não adianta discutir, então com o tempo eu percebi que o melhor é nem ouvir, por isso quando estou em casa fico no meu quarto com os fones. O quê? Por acaso eles te disseram que na verdade eu era uma anti-social? Ou que eu não tenho amigos? Que eles estão preocupados por que eu nao tenho perspectiva para o futuro? Bobagem, eles deviam trocar de lugar comigo, na verdade eu tenho milhões de coisas pra fazer e se você vai ficar brincando de "vaca-amarela" acho que é melhor eu ir, até porque já está na minha hora, ok?!
Ah, sabe que na verdade, você é uma boa amiga... Foi divertido ter essa conversa, talvez eu volte mais vezes.
Ao fechar a porta da sala, lia-se: Dra. Silva, Psicóloga.
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