PORRA! Ás vezes só um palavrão é capaz de traduzir o sentimento do que se quer dizer, que nem você tem a consciência própria de expressar o verdadeiro significado em palavras mais nobres. Ainda com o músculos em franca tremedeira silenciosa, no meio de uma epifania moral, o ser humano pode se dar conta do tamanho de toda a sua insignificância.
A vida é uma expressão das sombras, tudo pode ser projetado. A vida é o papel. Um papel branco e infinito, do tamanho do seu querer. Não existe escrita, apenas gestos que fazemos e vão sendo projetados, moldando o delinear daquilo que se almeja.
Você é um super herói hoje. Você imprime isso. Sorrisos esvoaçantes ao vento, sem razão e sem motivo.
Bom mesmo era poder estar aqui para falar coisas bonitas, com palavras sofisticadas, como solipsistas, metafísica e pragmatismos, mas de que importa afinal?! Imprimimos nas páginas da vida as sombras de um retrato que almejamos, de algo que ninguém vai ver, uma vez que estamos todos muito ocupados tentando projetar belos modelos.
Uns se esforçam ao máximo para projetar o modelo ideal, com felicidade e tudo o mais que é esperado pelo senso comum.
Uns imprimem um grande e desenhado "QUE SE DANE!!!" e curtem cada minuto sem sentido, para se sentirem um trapo em seguida. Se autoflagelarem e, uma vez recuperados, curtirem novamente, num ciclo vicioso deprimente.
Mas o que importa é que nada importa. Mais sem sentido que qualquer pensamento egoísta e inútil do porquê da vida, só este texto medíocre.
E no fim, você não tem nenhuma epifania moral, é apenas mais um deprimido que não obteve resposta, se sentiu um rei (por um breve -mas breve mesmo- momento) e se vê obrigado a voltar para a corrida dos ratos porquê amanhã é segunda feira.
domingo, 12 de janeiro de 2014
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
A vida como ela é
Quando você entra no carro, as malas no porta malas, toda a farofada pronta, mapas sincronizados, liga a "música de viagem", você pensa que logo vai chegar, que logo vai começar a aventura. Bom, a aventura já começou faz tempo. Começou quando você era uma célula fertilizada, que se dividiu algumas vezes, cresceu e tomou forma. Depois de parasitar uns meses resolveu ser independente, cortou o cordão (cortaram) e você abriu os olhos para um mundo novo. E todos os dias você abre os olhos e vê um mundo novo, mas você cresceu e mudou e perdeu a capacidade perceptiva. Na verdade, você se tornou um ordinário ser pensante e, convenhamos, a ignorância é uma bênção. E aí você se vê aos trinta, esperando começar uma aventura que te dê algum sentido para a vida, quando na verdade você já está no meio da sua aventura particular e nem sabe.
E, se você tiver a felicidade de perceber isso, vai compreender que a vida não é exatamente uma aventura, que é mais um fim da conspiração universal, totalmente desprovido de sentido. Isso pode te levar a loucura de querer encontrar o sentido e aí lá estará você perdido, novamente, em busca de alguma coisa que não existe, para preencher um vazio que você inventou, sendo que você poderia apenas fluir junto com todo o universo, como deve ser.
Mas, se não tiver essa felicidade, que me parece mais uma infelicidade quando vista a longo prazo, aí, então, poderá seguir o rumo da espera pelo início da aventura que não começa nunca e morrer esperando, sem ao menos se dar conta disso. Essa alternativa, provavelmente, é a mais alegre ao mesmo tempo em que é, como se possível, ainda mais desprovida de sentido, dentro de toda a falta de sentido que é a vida e a busca pelo sentido das coisas.
E, como acabei inclinada a preencher o seleto grupo de pessoas felizes que percebem e acabam infelizes com tanta falta de sentido, parei de frequentar a igreja (a igreja é uma bênção assim como a ignorância, mas já tomei a pílula vermelha, "bem vindo a matrix") e pude contemplar toda a minha infelicidade até que um dia me vi numa encruzilhada mental sobre o meu destino: uma morte induzida e indolor, uma vida sedada por drogas psicotrópicas ou a materialização de toda a falta de sentido, me tornando um vagabundo que vaga sem documento, sem rumo ("sem lenço nem documento").
Ocorre, meus caros, que eu sou preguiçosa demais para morrer e correr o risco de (se houver vida após a morte) ter de passar pela ignorância, pílula vermelha e etc tudo de novo. Quantos às drogas sejamos francos, descendo de uma merda de uma família pobre, motivo pelo qual estudei igual uma condenada tentando realizar o sonho da mamãe de ter um diploma universitário e depois comecei a trabalhar igual um cachorro, se eu me drogar igual doida onde é que, raios, vou ter dinheiro para comprar mais e mais drogas? Já a opção, até o momento, mais plausível de me tornar um vagabundo, de cara não convém porque (como se não bastasse) nasci mulher e tudo é mais difícil para as mulheres, elas não podem perambular por aí porque é perigoso e eu sou mulher, daquelas pequenas e frágeis, com bracinhos finos que não dão conta nem de socar o pilão.
Resumindo: o fato é que eu estava fadada a infelicidade, sem qualquer opção de mudança. Bem vida a realidade. Pelo menos o fato de você não se encantar com nada e não encontrar o seu lugar ao sol foram explicados e você pode simplesmente continuar vivendo sua vida de não se encantar com nada e de não ter o seu lugar ao sol. Mas pelo menos agora você sabe o porquê.
E, se você tiver a felicidade de perceber isso, vai compreender que a vida não é exatamente uma aventura, que é mais um fim da conspiração universal, totalmente desprovido de sentido. Isso pode te levar a loucura de querer encontrar o sentido e aí lá estará você perdido, novamente, em busca de alguma coisa que não existe, para preencher um vazio que você inventou, sendo que você poderia apenas fluir junto com todo o universo, como deve ser.
Mas, se não tiver essa felicidade, que me parece mais uma infelicidade quando vista a longo prazo, aí, então, poderá seguir o rumo da espera pelo início da aventura que não começa nunca e morrer esperando, sem ao menos se dar conta disso. Essa alternativa, provavelmente, é a mais alegre ao mesmo tempo em que é, como se possível, ainda mais desprovida de sentido, dentro de toda a falta de sentido que é a vida e a busca pelo sentido das coisas.
E, como acabei inclinada a preencher o seleto grupo de pessoas felizes que percebem e acabam infelizes com tanta falta de sentido, parei de frequentar a igreja (a igreja é uma bênção assim como a ignorância, mas já tomei a pílula vermelha, "bem vindo a matrix") e pude contemplar toda a minha infelicidade até que um dia me vi numa encruzilhada mental sobre o meu destino: uma morte induzida e indolor, uma vida sedada por drogas psicotrópicas ou a materialização de toda a falta de sentido, me tornando um vagabundo que vaga sem documento, sem rumo ("sem lenço nem documento").
Ocorre, meus caros, que eu sou preguiçosa demais para morrer e correr o risco de (se houver vida após a morte) ter de passar pela ignorância, pílula vermelha e etc tudo de novo. Quantos às drogas sejamos francos, descendo de uma merda de uma família pobre, motivo pelo qual estudei igual uma condenada tentando realizar o sonho da mamãe de ter um diploma universitário e depois comecei a trabalhar igual um cachorro, se eu me drogar igual doida onde é que, raios, vou ter dinheiro para comprar mais e mais drogas? Já a opção, até o momento, mais plausível de me tornar um vagabundo, de cara não convém porque (como se não bastasse) nasci mulher e tudo é mais difícil para as mulheres, elas não podem perambular por aí porque é perigoso e eu sou mulher, daquelas pequenas e frágeis, com bracinhos finos que não dão conta nem de socar o pilão.
Resumindo: o fato é que eu estava fadada a infelicidade, sem qualquer opção de mudança. Bem vida a realidade. Pelo menos o fato de você não se encantar com nada e não encontrar o seu lugar ao sol foram explicados e você pode simplesmente continuar vivendo sua vida de não se encantar com nada e de não ter o seu lugar ao sol. Mas pelo menos agora você sabe o porquê.
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