domingo, 1 de dezembro de 2019

O Antifrágil - Nassim Taleb [resumo]


O antifrágil
– coisas que se beneficiam com o caos [Nassim Taleb]

Eu me interessei pelo livro por causa do título, com um mundo tão caótico, eu pensei que talvez ele me daria dicas de como sobreviver e me beneficiar com tanta loucura...

Bom, o livro começa explicando o que seria uma coisa antifrágil. Essa palavra, Antifrágil, não existe na verdade, mas se você pensar a respeito ela deveria existir.

Frágil é uma coisa sensível que pode se romper, quebrar ou ser prejudicada por algum estresse. Se você chutar uma caixa de copos de vidro, eles vão quebrar, porque são frágeis.
Muita gente pensa que o contrário de frágil seria Robusto, uma coisa que não se quebra. Se você chutar uma caixa de barra de peso, nada muda. O material é resistente. Mas isso não é um contrário... a barra de pesos é neutra... ela não muda.
A antítese, o contrário de frágil é o ANTIFRÁGIL. Se você chutar uma caixa com um objeto antifrágil ele vai mudar para melhor, é uma coisa que vai ser beneficiada.

O autor usa de exemplo a hidra, ser mitológico com várias cabeças. Cada vez que alguém corta uma cabeça da hidra, duas cabeças nascem no lugar de uma, ou seja, ela acaba ficando mais forte!
Na vida, seja a hidra!

Mas e nós, seres humanos, nós somos antifrágeis?
O autor escreve que se você vai na academia e força seus músculos, você sente dores, descansa e seus músculos ficarão mais fortes e você vai aguentar cada vez mais pesos.
Ou seja, normalmente, quando há um agente estressor e o tempo apropriado para a recuperação depois do contato com esse agente, nós nos tornamos mais fortes – antifrágeis.
Existe até uma técnica chamada mitridização em que o contato prolongado com pequenas doses de veneno (nada que vai te matar) acaba tornando o indivíduo imune ao veneno! Era uma prática usada na Grécia antiga.

O livro tem muita filosofia, na verdade, o autor traz conceitos de grandes filósofos para o nosso dia-a-dia. Um desses conceitos é o que ele chama de estratégia da barra de pesos. Essa estratégia consiste em você se precaver de um lado (dir.) e do outro lado (esq.) você ir pro tudo ou nada. Por exemplo, você tem 100 mil reais. Você guarda 85 mil e usa os outros 15 mil para fazer um investimento arriscado, mas que, caso dê certo, te daria um retorno de 200%. Se você perder, ainda tem seus 85 mil, se ganhar, vai estar muito mais rico!
Dessa forma, você minimiza os ricos e adquire antifragilidade.

A principal ideia do livro é a de toda a vulnerabilidade é boa – sempre tem alguém que vai ganhar e alguém que vai perder, quem ganha leva tudo. Simples assim. Como diria Quincas: “Ao vencedor, as batatas”.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Por que eu defendo o aborto?

Por que eu defendo o aborto?
Há algum tempo decidi me libertar de todo o enigmático conceito religioso. Não posso me libertar em definitivo porque uma criação religiosa deixa marcas inapagáveis, amarras invisíveis e um fundinho de fé inabalável. No entanto, posso me agarrar à minha racionalidade e entender que o fato de eu ter sido criada dentro de uma crença religiosa não a torna uma verdade absoluta. A beleza do mundo é a diversidade, em todas as suas manifestações.
Eu posso acreditar no direito à vida, no karma, na resiliência ou qualquer outra coisa, mas eu não posso querer que todas as pessoas sejam obrigadas pelo Estado a agir conforme meu doutrinamento. 
Como mulher, independentemente de qualquer doutrina, eu tenho obrigação de defender o estado laico, a defesa integral dos direitos humanos. Se hoje eu tenho liberdade sexual, direito ao planejamento familiar, direito de trabalhar, direito de estudar, tudo isso é fruto de uma mulher que, lá atras, foi contra doutrinas e pré conceitos e defendeu uma mudança no entendimento do papel da mulher na sociedade. 
Em alguns países as mulheres são punidas pelo aborto espontâneo, em alguns países o aborto em casos de violência sexual é proibido - parece pré história! Assim como diminuir a maioridade penal não vai diminuir a violência, criminalizar o aborto não dificulta sua ocorrência, apenas aumenta os casos de morte. O aborto não precisa ser crime, não deve ser crime, o que a sociedade precisa é educação, qualidade de vida e desenvolvimento. Não adianta tapar o sol com a peneira, fingir que o problema se resolve com uma norma punitiva. É preciso sair da nossa zona de conforto e encarar o problema com racionalidade. 
Eu tive a sorte de ter uma família estruturada, recebi educação moral e intelectual, tenho acesso a um sistema de saúde privado, posso adquirir medicamentos, tenho um trabalho que paga um salário digno. Mas eu sou a minoria da população. Eu não preciso fazer um aborto. Mas eu não tenho o direito de decidir por quem não teve as mesmas oportunidades que eu, ou que não compartilha das mesmas ideologias que eu.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Às vezes a gente precisa de algo em que se agarrar.
Um sorriso, uma palavra amiga, uma esperança.
Uma ideologia - irracional, um prospecto de um futuro bom.
Às vezes eu me agarro ao passado, às lembranças.
Uma conversa com um amigo, uma música, um cheiro.
Tem gente que precisa de grandes impactos, de discursos eufóricos.
Eu me agarro a um sentimento. Puro e claro. Inexato e terno, 
Como a vida.

sábado, 20 de junho de 2015

O que é a vida?

Quando você entra no carro, as malas no porta malas, toda a farofada pronta, mapas sincronizados, liga a "música de viagem", você pensa que logo vai chegar, que logo vai começar a aventura. Bom, a aventura já começou faz tempo. Começou quando você era uma célula fertilizada, que se dividiu algumas vezes, cresceu e tomou forma. Depois de parasitar uns meses resolveu ser independente, cortou o cordão (cortaram) e você abriu os olhos para um mundo novo. E todos os dias você abre os olhos e vê um mundo novo, mas você cresceu e mudou e perdeu a capacidade perceptiva. Na verdade, você se tornou um ordinário ser pensante e, convenhamos, a ignorância é uma bênção. E aí você se vê aos trinta, esperando começar uma aventura que te dê algum sentido para a vida, quando na verdade você já está no meio da sua aventura particular e nem sabe.
E, se você tiver a felicidade de perceber isso, vai compreender que a vida não é exatamente uma aventura, que é mais um fim da conspiração universal, totalmente desprovido de sentido. Isso pode te levar a loucura de querer encontrar o sentido e aí lá estará você perdido, novamente, em busca de alguma coisa que não existe, para preencher um vazio que você inventou, sendo que você poderia apenas fluir junto com todo o universo, como deve ser.
Mas, se não tiver essa felicidade, que me parece mais uma infelicidade quando vista a longo prazo, aí, então, poderá seguir o rumo da espera pelo início da aventura que não começa nunca e morrer esperando, sem ao menos se dar conta disso. Essa alternativa, provavelmente, é a mais alegre ao mesmo tempo em que é, como se possível, ainda mais desprovida de sentido, dentro de toda a falta de sentido que é a vida e a busca pelo sentido das coisas.
E, como acabei inclinada a preencher o seleto grupo de pessoas felizes que percebem e acabam infelizes com tanta falta de sentido, parei de frequentar a igreja (a igreja é uma bênção assim como a ignorância, mas já tomei a pílula vermelha, "bem vindo a matrix") e pude contemplar toda a minha infelicidade até que um dia me vi numa encruzilhada mental sobre o meu destino: uma morte induzida e indolor, uma vida sedada por drogas psicotrópicas ou a materialização de toda a falta de sentido, me tornando um vagabundo que vaga sem documento, sem rumo ("sem lenço nem documento").
Ocorre, meus caros, que eu sou preguiçosa demais para morrer e correr o risco de (se houver vida após a morte) ter de passar pela ignorância, pílula vermelha e etc tudo de novo. Quantos às drogas sejamos francos, descendo de uma merda de uma família pobre, motivo pelo qual estudei igual uma condenada tentando realizar o sonho da mamãe de ter um diploma universitário e depois comecei a trabalhar igual um cachorro, se eu me drogar igual doida onde é que, raios, vou ter dinheiro para comprar mais e mais drogas? Já a opção, até o momento, mais plausível de me tornar um vagabundo, de cara não convém porque (como se não bastasse) nasci mulher e tudo é mais difícil para as mulheres, elas não podem perambular por aí porque é perigoso e eu sou mulher, daquelas pequenas e frágeis, com bracinhos finos que não dão conta nem de socar o pilão.
Resumindo: o fato é que eu estava fadada a infelicidade, sem qualquer opção de mudança. Bem vida a realidade. Pelo menos o fato de você não se encantar com nada e não encontrar o seu lugar ao sol foram explicados e você pode simplesmente continuar vivendo sua vida de não se encantar com nada e de não ter o seu lugar ao sol. Mas pelo menos agora você sabe o porquê.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

História do Brasil - Boris Fausto

FAUSTO, Boris. História do Brasil. 14. Ed. atual. e ampl. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013.

Os portugueses acumularam muitas riquezas derivadas do comércio. A busca por novos mercados levou às navegações. Ao chegar ao Brasil os portugueses buscavam, na verdade, chegar às Índias e fazer parte do comércio de especiarias. Cabral errou em seus cálculos e pensava que poderia, facilmente, chegar às Índias pelo Atlântico. O fato de as Antilhas terem sido descobertas favorecia tal suposição.

O BRASIL COLONIAL 1500 – 1822

Resumo:
A colonização do Brasil se deu aos poucos. A descoberta de pau-brasil e a excentricidade indígena favoreceram as relações entre os portugueses e os índios (principalmente os tupi-guaranis). A rivalidade entre as tribos também contribuiu pra que portugueses recebessem auxílio indígena e conseguissem se instalar no país.
O desrespeito francês ao Tratado de Tordesilhas (que dividia as novas terras entre portugueses e espanhóis) contribuiu para que a Coroa portuguesa colonizasse o Brasil e garantisse sua posse. A primeira tentativa de colonização orquestrada foi bruscamente interrompida pelo sistema de capitanias hereditárias, grandes porções de terras arrendadas a pessoas com boas relações com a Coroa (baixa nobreza, burgueses, entre outros). O sistema não teve grande sucesso.
A falta de descoberta de grandes riquezas transformou o Brasil em um fornecedor de alimentos à Coroa, o que favoreceu a criação de grandes latifúndios para o sistema “plantation”. A abundância de terras não favorecia o trabalho assalariado já que os trabalhadores podiam facilmente adquirir sua própria terra o que somado ao sistema da “plantation” levou a utilização de mão-de-obra escrava.
O Brasil era dotado de divisões além de livres e escravos. Eram elas:
- raciais: os nobres, os brancos, os mulatos, os índios e os negros...
- religiosas: cristãos e cristãos-novos (judeus obrigados a se converter);
- ocupação: senhores de engenho, comerciantes, artesãos...;
- sexo: homens e mulheres. Apesar do sistema patriarcal as mulheres tiveram importante papel na administração da casa e relativa independência (excluindo as famílias mais abastadas).
De população rural, as cidades passam a crescer devido aos grandes comerciantes, aos postos administrativos e, principalmente, a vinda da família real ao Rio de Janeiro. A sociedade brasileira vai se formando ao redor de famílias poderosas e na relação de lealdade.
A transformação do Brasil em um grande exportador de açúcar elevou, radicalmente, o número de escravos negros no país. Os engenhos eram caros e muitas vezes financiados por entidades religiosas ou estrangeiras (já que não havia banco no país).
A igreja teve grande importância adentrando o território nacional. A cultura indígena se mesclou com os costumes da época. A falta de mulheres brancas contribuiu para a mestiçagem da população, os mamelucos.
A vila de São Paulo possuía grandes distinções das demais. Formada por jesuítas, a vila era habitada por burgueses, artesãos, índios, mamelucos e bandeirantes. A descoberta de ouro pelos bandeirantes deslocou o eixo comercial o eixo comercial para o centro-sul do país e a capital foi transferida para o Rio de Janeiro.
As novas ideias (liberalismo, iluminismo) e revoluções (francesa e industrial) que emanavam da Europa levam à crescente defesa do fim da escravidão.
Em Minas, o eixo dinâmico do ouro estava arrefecido e as elites locais, familiarizadas com as novas ideias europeias, estavam descontentes com a administração da Coroa, o que levou à Inconfidência, uma movimento com significativa importância simbólica.
Em Salvador um movimento assume grande relevância como símbolo do início das reivindicações sociais, a conjuração dos alfaites.
A vinda da família real em 1808, o aumento dos tributos, o menosprezo do nordeste e o favorecimento de portugueses em detrimentos de brasileiros levou à revolução de 1817. Os revoltosos dominaram o Recife, mas foram severamente punidos dois meses depois.
O fim da guerra na Europa e a queda de Napoleão deixou Portugal em meio a um grave crise, solucionada com o retorno de D. João VI. Sob protestos brasileiros D. Pedro I ficou no Brasil. Entre divergências e sob a ameaça de Portugal submeter o Brasil a regressiva condição de colônia foi proclamada a Independência do Brasil, com D. Pedro I como imperador.

A definição das fronteiras no pós-independência se deu com o Tratado de Madri, segundo o qual o Brasil renunciava a colônia de Sacramento e abrangia a região de Sete Missões.

O PRIMEIRO REINADO 1822 – 1831

A Inglaterra auxiliou a busca brasileira pelo reconhecimento da independência. Seu interesse estava no grande mercado consumidor que o Brasil representava. Sobre o acordo com Portugal o Brasil se comprometeu ao pagamento de uma indenização e a não permitir a união com outras colônias lusas. Para pagar tal indenização o país fez seu primeiro empréstimo internacional (com a Inglaterra).
Diante da tentativa de elaborar a Constituição houveram divergências que levaram o Imperador a dissolver a Assembleia e a promulgar a CF de 1824. Os principais pontos da CF1824 foram a instituição da divisão do Legislativo em câmara e senado, este último vitalício; o voto indireto e censitário (com inclusão de escravos libertos); a divisão do país em províncias com presidentes indicados pelo Imperador; o asseguramento das liberdades individuais; a instituição do Conselho de Estado e do Poder Moderador (que consistia na acumulação de atribuições ao Imperador).
No período, a Confederação do Equador tem destaque como importante revolta, de caráter republicano e federalista do Nordeste. A revolução tinha conteúdo urbano e popular e foi severamente reprimida com a condenação à morte de seus líderes.
No Prata, o Brasil entrava em guerra com a Argentina. Derrotado, teve o acordo de paz intermediado pela Inglaterra. Os gastos na guerra, a inchação (inflação), o crescimento do sentimento antilusitano e a pressão inglesa que culminou na redução das tarifas alfandegárias fizeram crescer a insatisfação social e a popularização das ideias liberais.
Diante da grave crise d. Pedro I embarca para Portugal para tentar retomar o trono (já que d. João VI havia falecido) e deixa seu filho, Pedro II, para assumir o Império brasileiro. Pedro II é um legítimo brasileiro, mas de apenas 5 anos de idade.

A REGÊNCIA

               A regência foi o período em que se aguardava a maioridade de dom Pedro II e foi marcado por reformas institucionais e revoltas. Dentre as revoltas mais importantes cite-se a balaiada (1838-1840), a guerra dos cabanos (1821 e 1835), a cabanagem (1835-1840), a sabinada (1837-1838)  e a guerra dos farrapos (1836-1845).
A guerra dos farrapos no Rio Grande do Sul teve longa duração e foi um dos motivos que levou à queda do regente Feijó.


Continua em um próximo post.... :)

domingo, 19 de outubro de 2014

Apontamentos sobre "Introdução à história contemporânea" de Barraclough

BARRACLOUGH, Geoffrey. Introdução à história contemporânea. Tradução de Álvaro Cabral. 1964. Disponível para download.


              [CAP. 1]
              Segundo Barraclough é necessário analisar as mudanças globais além da Europa. Para o autor, a centralização da Europa fez com que uma série de acontecimentos importantes fossem deixados em segundo plano. O Japão, a África e a Ásia representam tão ou maior importância nas mudanças mundiais do meio do século XX.
[CAP. 2]
A segunda Revolução Industrial, a Revolução Científica, modificou todos os ramos de produção, não apenas a indústria, mas também a medicina, a agricultura, a construção civil, os transportes, entre outros. A partir dela o mundo se tornou mais parecido ao que conhecemos.
A descoberta da manipulação de novos minérios, o petróleo, o surgimento dos grandes conglomerados industriais, marcam o início da globalização. “No final do século XIX, a maior parte do mundo estava mais estreitamente interligada, econômica e financeiramente, do que em qualquer outra época anterior” (cap. 2, II).
A era da busca neoimperialista, no fim do século XIX, redesenhou o globo.  A sede de conquista possuía conotações econômicas e políticas e, essa fase, compreende o marco “divisor de águas” entre a história antiga e a contemporânea.
[CAP. 3]
O terceiro capítulo da obra relata a questão demográfica. O imperialismo defendia a “branquiação” do mundo, mas as taxas de natalidade diminuíam na Europa e aumentavam na África, na Ásia e Oceania. Os europeus eram minoria em suas próprias colônias.
A fim de equilibrar a questão tentou-se a emigração, mas a falta de contingente humano levou à falta de mão-de-obra. Assim, partiu-se para a solução através da força militar, o que foi malogrado diante da falta de homens à desempenhar a função e das necessidades de força de trabalho nas indústrias. A segunda guerra viria para demonstrar a nítida debilidade da força militar europeia.
“Por si só, os fatores demográficos são antes uma condição prévia do que uma causa do poder político, e o significado da mera quantidade é frequentemente discutido”. A industrialização permitiu um período de poder sobre as populações não industrializadas, mas a história demonstrou que a habilidade técnica não podia ser monopolizada e a Inglaterra foi responsável pela sua própria derrota, quando achava que isso não era uma possibilidade.
[CAP. 4, 5 e 6]
A primeira guerra mundial retirou a América de seu isolacionismo. Após o conflito a Europa poderia supor que o reequilíbrio mundial seria restaurado, mas os EUA e a Rússia já percebiam uma nova ordem, multilateral. Percebiam, porém, sob diferentes óticas. Para o autor, o sistema bipolar que emergia foi um sintoma do fim do século XIX, quando o imperialismo, em seu auge, dividiu o mundo em zonas de influência e monopólio comercial.
A industrialização modificou as cidades, de maneira bastante rápida. Isso refletiu em mudanças na cidade, na sociedade e na formação dos Estados. As estruturas políticas da época não estavam preparadas para lidar com as necessidades populacionais e desenvolve-se, a partir de então, um sistema cada vez mais intervencionista, em prol do interesse do cidadão. Isso levou ao declínio do modelo democrático representativo da antiga Europa e culminou no sufrágio, primeiro do homem e, por último, da mulher. Surgiu a democracia das massas.
O partido tomou grande importância.
O imperialismo propiciou as bases para o êxito dos movimentos independentistas. A dominação possibilitou o nascimento do sentimento xenofóbico. A desestruturação das bases sociais, econômicas e políticas das colônias possibilitou o desenvolvimento de novos interesses que, se aproveitando do enriquecimento da indústria serviria para organizar o movimento de independência.
 As duas grandes guerras contribuíram para tornar a Ásia e África em pólos produtores de matéria prima, o que gerou o desenvolvimento social dessas comunidades. As novas classes sociais que surgiam eram ricas o suficiente para financiar os movimentos de independência.
“Foi esse amálgama, fruto da ocidentalização, de elementos oriundos de distintos grupos e classes sociais, que levou à formação de novas elites, unidas, apesar de suas origens díspares, pela determinação de sacudir o jugo estrangeiro”.
“O nascimento do nacionalismo pode ser encarado, assim, não só como uma reação contra o domínio ocidental, mas também como um passo inicial na transformação do modo tradicional de vida, não mais de acordo com as modernas condições”.
Os movimentos de independência na África e Ásia partiram de modelos europeus, americanos e até mesmo de modelos russos. Os partidos vitoriosos foram os que conseguiram mobilizar as massas dentro de um modelo político ocidental para criar uma nova sociedade, reformulada, atendendo às aspirações sociais da população.
[CAP. 7]
O marxismo-leninista, bolchevismo, foi responsável por reinstalar o espírito revolucionário. O movimento era universal, não questionava a relação de um povo mas, sim, a relação das classes oprimidas.
“Como outros grandes movimentos históricos, o bolchevismo deveu seu êxito não só a seu próprio poder e ao entusiasmo que suscitou entre seus discípulos, mas também ao desmoronamento interno da ordem contra a qual se dirigia”.
Lenin pregava um marxismo mundial e a crise pós Primeira guerra foi o momento propício, já visualizado por Marx, para a revolução. O bolchevismo defendia o desenvolvimento dos países “atrasados” sem ser necessário passar pelos sacrifícios das fases impostas pelo capitalismo. Ele não dividia o mundo por nacionalidade mas por classes. Suas promessas foram facilmente aceitas nos países menos desenvolvidos – apesar de outras políticas, como o fascismo, estarem em curso de desenvolvimento.
Se, primeiramente, o Marxismo-leninista era um movimento mundial seu sucessor Stalin modificou os rumos dessa política e se afastou do comunismo, priorizando a política da União Soviética e abandonando o classicismo que vigorava sobre o nacionalismo.
“A reação ao impacto soviético divide-se, pois, em três fases bem definidas. A primeira, de 1918 a 1929, foi quase totalmente negativa, bastante parecida à reação de Metternich ante a Revolução Francesa. Tentou conter o bolchevismo isolando-o; seu instrumento foi a política externa e, no todo, funcionou bem até 1929, para satisfação dos estadistas ocidentais. A segunda fase, de 1929 a 1941, foi também uma reação de medo, mas de conteúdo mais positivo. Suas expressões características foram o fascismo e o nacional-socialismo, cujo pressuposto básico, fomentado em ambos, e em grande escala, pela depressão de 1929, era a incapacidade do capitalismo liberal para reunir os elementos da sociedade capitalista – sobretudo, a pequena burguesia – que se sentiam mais diretamente ameaçados. O fervor moral que tanto Mussolini como Hitler procuraram inspirar entre seus adeptos foi instigado como antídoto ao fervor do bolchevismo e muitos dos métodos bolchevistas foram invocados na tentativa para o gerar [...] a terceira fase só atingiu pleno desenvolvimento depois da guerra de 1941-45. O Estado de bem estar social”.
“O comunismo teve grande influência na Ásia onde a ditadura era uma das poucas formas de vencer a plutocracia e diminuir as disparidades [...]. Uma grande influência desse modelo que não visava o lucro e sim o planejamento social foi a mudança nas ideias capitalistas, que passaram a mesclar cuidados sociais em suas bases, distanciando-se do liberalismo econômico”.
[CAP. 8] – A arte
O último capítulo trata da mudança no panorama artístico e cultura da nova sociedade que se desenhava. A arte rompe com antigas formas e busca criar algo para uma nova sociedade, a sociedade de classe, operária, que agora se alfabetiza mas não se interessa pela antiga arte. Se primeiramente a arte foi influenciada pelo Ocidente, posteriormente ela se volta para temas internos, para uma linguagem mais popular e visa participar ativamente da reconstrução social.

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domingo, 12 de janeiro de 2014

Porra

PORRA! Ás vezes só um palavrão é capaz de traduzir o sentimento do que se quer dizer, que nem você tem a consciência própria de expressar o verdadeiro significado em palavras mais nobres. Ainda com o músculos em franca tremedeira silenciosa, no meio de uma epifania moral, o ser humano pode se dar conta do tamanho de toda a sua insignificância.
A vida é uma expressão das sombras, tudo pode ser projetado. A vida é o papel. Um papel branco e infinito, do tamanho do seu querer. Não existe escrita, apenas gestos que fazemos e vão sendo projetados, moldando o delinear daquilo que se almeja.
Você é um super herói hoje. Você imprime isso. Sorrisos esvoaçantes ao vento, sem razão e sem motivo.
Bom mesmo era poder estar aqui para falar coisas bonitas, com palavras sofisticadas, como solipsistas, metafísica e pragmatismos, mas de que importa afinal?! Imprimimos nas páginas da vida as sombras de um retrato que almejamos, de algo que ninguém vai ver, uma vez que estamos todos muito ocupados tentando projetar belos modelos.
Uns se esforçam ao máximo para projetar o modelo ideal, com felicidade e tudo o mais que é esperado pelo senso comum.
Uns imprimem um grande e desenhado "QUE SE DANE!!!" e curtem cada minuto sem sentido, para se sentirem um trapo em seguida. Se autoflagelarem e, uma vez recuperados, curtirem novamente, num ciclo vicioso deprimente.
Mas o que importa é que nada importa. Mais sem sentido que qualquer pensamento egoísta e inútil do porquê da vida, só este texto medíocre.
E no fim, você não tem nenhuma epifania moral, é apenas mais um deprimido que não obteve resposta, se sentiu um rei (por um breve -mas breve mesmo- momento) e se vê obrigado a voltar para a corrida dos ratos porquê amanhã é segunda feira.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A vida como ela é

Quando você entra no carro, as malas no porta malas, toda a farofada pronta, mapas sincronizados, liga a "música de viagem", você pensa que logo vai chegar, que logo vai começar a aventura. Bom, a aventura já começou faz tempo. Começou quando você era uma célula fertilizada, que se dividiu algumas vezes, cresceu e tomou forma. Depois de parasitar uns meses resolveu ser independente, cortou o cordão (cortaram) e você abriu os olhos para um mundo novo. E todos os dias você abre os olhos e vê um mundo novo, mas você cresceu e mudou e perdeu a capacidade perceptiva. Na verdade, você se tornou um ordinário ser pensante e, convenhamos, a ignorância é uma bênção. E aí você se vê aos trinta, esperando começar uma aventura que te dê algum sentido para a vida, quando na verdade você já está no meio da sua aventura particular e nem sabe.
E, se você tiver a felicidade de perceber isso, vai compreender que a vida não é exatamente uma aventura, que é mais um fim da conspiração universal, totalmente desprovido de sentido. Isso pode te levar a loucura de querer encontrar o sentido e aí lá estará você perdido, novamente, em busca de alguma coisa que não existe, para preencher um vazio que você inventou, sendo que você poderia apenas fluir junto com todo o universo, como deve ser.
Mas, se não tiver essa felicidade, que me parece mais uma infelicidade quando vista a longo prazo, aí, então, poderá seguir o rumo da espera pelo início da aventura que não começa nunca e morrer esperando, sem ao menos se dar conta disso. Essa alternativa, provavelmente, é a mais alegre ao mesmo tempo em que é, como se possível, ainda mais desprovida de sentido, dentro de toda a falta de sentido que é a vida e a busca pelo sentido das coisas.
E, como acabei inclinada a preencher o seleto grupo de pessoas felizes que percebem e acabam infelizes com tanta falta de sentido, parei de frequentar a igreja (a igreja é uma bênção assim como a ignorância, mas já tomei a pílula vermelha, "bem vindo a matrix") e pude contemplar toda a minha infelicidade até que um dia me vi numa encruzilhada mental sobre o meu destino: uma morte induzida e indolor, uma vida sedada por drogas psicotrópicas ou a materialização de toda a falta de sentido, me tornando um vagabundo que vaga sem documento, sem rumo ("sem lenço nem documento").
Ocorre, meus caros, que eu sou preguiçosa demais para morrer e correr o risco de (se houver vida após a morte) ter de passar pela ignorância, pílula vermelha e etc tudo de novo. Quantos às drogas sejamos francos, descendo de uma merda de uma família pobre, motivo pelo qual estudei igual uma condenada tentando realizar o sonho da mamãe de ter um diploma universitário e depois comecei a trabalhar igual um cachorro, se eu me drogar igual doida onde é que, raios, vou ter dinheiro para comprar mais e mais drogas? Já a opção, até o momento, mais plausível de me tornar um vagabundo, de cara não convém porque (como se não bastasse) nasci mulher e tudo é mais difícil para as mulheres, elas não podem perambular por aí porque é perigoso e eu sou mulher, daquelas pequenas e frágeis, com bracinhos finos que não dão conta nem de socar o pilão.
Resumindo: o fato é que eu estava fadada a infelicidade, sem qualquer opção de mudança. Bem vida a realidade. Pelo menos o fato de você não se encantar com nada e não encontrar o seu lugar ao sol foram explicados e você pode simplesmente continuar vivendo sua vida de não se encantar com nada e de não ter o seu lugar ao sol. Mas pelo menos agora você sabe o porquê.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Bom, eu ando meio enlouquecida com o último ano da facul..
hoje no face achei essa música que uma menina postou e achei muito hilário!
Então, pra descontrair!!!



A música dos estudantes de Direito:

"Sou foda, suas noites esculacho, na sala ou no quarto, te encho de trabalhooo, eu sou o Direito, te afasto dos amigos, te deixo em casa de castigo, e ainda tem o artigo...
Ahh, assustador, um curso interessante, não dá tempo pra amante, muito menos pra ficante...

Mas não se esqueça, não é pra vagabundo, pra poder passar em tudo, tem que esquecer do mundoooo...

Pra te enlouquecer, pra te enlouquecer, quando pensa que acabou tem a prova da OAB, pra te enlouquecer, pra te enlouquecer, quando pensa que acabou tem a prova da OAB...

Quer se enlouquecer? Quer se enlouquecer? Comece a fazer DIREITO que ele acaba com você!!!"

terça-feira, 30 de julho de 2013

OAB Trabalho

Hello, tempos difíceis com muito estudo para a OAB... Mas passei!
então vou colocar aqui algumas dicas para quem vai prestar o exame.

Na verdade eu passei de primeira (fiz a segunda fase em trabalho)

 1- CRONOGRAMA
Não tem como gente, se você está na faculdade como eu o ideal é que monte um cronograma para conseguir estudar todo o conteúdo a tempo e continuar com suas atividades.

No meu caso, trabalho e ainda estou no 5 ano, então foi difícil!
Estudei aos fins de semana para prestar a primeira fase...
Mas, assim que saiu o resultado da segunda eu não fui mais às aulas (sim, estou com muitas faltas e não posso mais faltar...) e passei a focar nos estudos, já com o cursinho...
Estudei de duas à três horas (seg - sáb), fiz os simulados aos domingos - SIM, simulados são muito importantes! Te dão o ritmo da prova, o que esperar, etc...

 2- CURSINHO
No meu caso foi essencial, eles já dão os macetes, o conteúdo vem mastigado e focado para o exame!
 Eu fiz o CERS (só tem online - por isso é muito importante que você siga o cronograma), adorei!
Na hora da prova eu conseguia lembrar tudo o que ela tinha falado na aula.
Realmente estava tudo na minha cabeça, me ensinou como pesquisar melhor as súmulas e OJs... tudo mesmo!

 3- MATERIAL ***
O material é o seu melhor amigo.
Compre um bom material.
Use e abuse do seu código!!
Faça as marcações, não tenha preguiça.
Use em todas as aulas para que você fique familiarizado.
No meu caso (coloquei algumas fotos a seguir), separei as cores dos post por assunto..
as principais ações tem cores específicas, pois achava-se que cairia RT (não foi o caso),
separei a cor azul para tudo que fosse referente a salário... e por aí vai...
Minha CLT veio com erros de impressão, precisei corrigir, fiz a lápis risquei e coloquei o artigo correto conforme a errata da editora (veja nas fotos).
Além disso, coloquei todas remissões que foram indicadas pela professora.
Nas fotos eu estava apenas começando com os post, ficou muito mais cheio!! hehehe
mas valeu!




Acho que é o mais importante.
Aqui umas fotos das minhas marcações, levei a CLT da aryanna manfredini/ renato saraiva/ rafael tonassi
O livro de súmulas e Ojs por assunto e o Vade Mecum Saraiva (com pouquíssimas remissões, caso não me deixassem usar a CLT - melhor remediar).

 Espero que ajude quem está na terrível fase de prestar a prova!
Calma, dedique-se ao máximo, todo mundo pode passar!!




Muita sorte, estudo, foco!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Acordei e a neblina já batia à minha janela. Coloquei tantos casacos quanto bastassem para espantar o frio. Um café forte e quente. A fumaça parecia me envolver, atormentar. Sufocando lentamente, como quem mata sordidamente, como quem seduz e envolve, sufoca e fascina. Névoa sombria, subindo pelas canelas e rodeando o pescoço. Esmagando, sufocando, matando lentamente.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

E correu. Correu tão longe que nem o vento a via. Correu com todas as forças que o pequeno corpo mantinha. Correu e seguiu seu rumo. Construiu seus sonhos e visualizou um futuro. Quando se deu conta estava longe. Longe da linha de chegada, sequer na mesma estrada, então correu. E na corrida um sorrisou esboçava. O suor escorria frio na pela pálida, mas seguia correndo. Corria e cada vez mais ávida, corria e cada vez mais certa. Nem um minuto olhou pra trás, porque sabia que o que ficou, ficou, nada mais resta. Só o futuro. Correu. E corria ainda. Corria e num instante depois corria e ria. Gargalhava! Corria como se visse a ponte, depois da ponte o pote de ouro, o fim do arco-íris. Corria como se visse o novo mundo, no novo mundoo todos os sonhos que um dia abafou. Corria e sentia o vento como se fosse uma torcida que pedia que corresse ainda, mais e mais. E livre sentia. E feliz sentia. Corria e ria. Corria e vivia.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Se vão.

Eles se vão. Se vão e se voltam, por vezes revoltam. Vão os jovens e as almas, as plumas, as balas. Eles vão para lugar nenhum, incomum, apenas lugar. Olham para o além, nada vêem, só querem estar. Sentem o vento e sentem a chuva, não sentem o frio que perturba. Jovens que gritam palavras vazias. Pobres mentes aflitas. Eles se vão. Se vão e se voltam, se revoltam e passam. Crescem e envelhecem e por vezes ainda revoltam, quando se voltam.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Quando me cansei

Cansaço. Sinto-me cansada, quero poder sentar na varanda e apreciar meu silêncio e minha mortalidade. Quero minha alma pacífica e inerte, quero meu corpo amortecido e inútil.
Sombras que passam pela janela, mais que isso, sombras que acalentam meus pensamentos e esfriam meu coração. Elas me tomam quando menos espero, numa surpresa cruel e irônica - pode-se dizer, sim, que até irônica.
Vulnerável que sou, quanto mais me dou conta disso, mais me limito e permito que adentrem por meus caminhos, acabo eu mesma presa em meus labirintos, perdida nessa escuridão que eu mesmo faço.
Os sonhos vão se distanciando mais e mais, quero poder parar o tempo, quero perdê-lo. Por mim passaria o tempo longe, eu apenas o veria, "vá tempo, suma daqui, há muito que te quis por perto, hoje quero o nada, puro e seco, estou cansada de correr atrás de ti." E ele embora ia e me deixaria aqui, apenas nas lembranças.
Minha cadeira balança serena e minha colcha de retalhos não faz diferença alguma, este frio vem de dentro, irradia de minhas próprias entranhas. Não há o que fazer, estou cansada.
Mas a vida não pára, segue sempre correndo esta louca, impertinente. Natureza maléfica destas misticidades, já não quero compreender, nada mais quero, quero me perder desta canseira que escoa por todos os meus poros, que faz de mim este ser enfermo. Cansei de tudo, do mundo, dos sonhos - tão distantes ficaram. Cansei do rumo e do atalho. Cansei de minha própria companhia, de todas as coisas que eu não entendo. Canso até mesmo de estar cansada há tanto tempo. Parei o tempo que corria dentro de mim, parei tudo e parei nada.
Risos rebolaram vibrando qualquer silêncio, acordando os novos velhos e as almas vazias.
Uma bolha de sabão estourou na sala e lá na esquina ainda sentiram seu sabor, doce como a verdadeira alegria.
As fofoqueiras esqueceram seus casos de amor e os meninos suas revistas. Mães apenas admiravam seus bebês e um adolescente sorria, enquanto ela novamente abria seus olhos para a vida.
E então tudo tomou forma e como mágica foi facilmente compreendido.
Como se fossem palavras escritas no ar para serem lidas e admiradas.

De repente um som cortou a escuridão e uma palavra subiu às nuvens, enquanto uma lágrima caia serena, enquanto uma fagulha de coração se perdia.

Logo à frente um choro se fez ouvir, tão estridente quanto o riso que o fez seguir e balões dobraram a esquina dos sonhos enquanto escrevia seus enfadonhos cantos.

E num mundo carente de sentidos, onde regras existem para serem mudadas, onde não conhecemos mais as palavras, somente um grito pode, como verdadeira arte de expressão, ser considerada.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

De quantas estrela é feito o céu? Quantos desejos habitam o universo? Hoje deixo nada além de um suspiro, pois sou um poeta sem verso.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Inacessível

Puro sossego. Parei o tempo. Não há mais relógios neste mundo que me encontrem. Não existem telefones ou celulares, nem mesmo Internet sei do que se trata.
Vivo num bolha, ou melhor, eu vivo o mundo real. O meu mundo.
Num mundo onde eu sou eu, onde não sou simplesmente encontrada ao bel prazer de quem procura. Num mundo onde a privacidade tem um significado verdadeiro, onde escolho e vivo meus momentos.
Neste mundo onde por vezes preciso fechar os olhos e recomeçar. Onde as vezes eu preciso chorar. Onde meu riso pode ser alto e desafinado, ou não, enfim.
Amores podem ser vividos a flor da pele, não há sociedade para fazer seus julgamentos.
Meu mundo será também daqueles a quem eu escolher, só convidados farão parte.
Há muito tempo deixei de ser apenas um perfil na sua tela, finalmente aprendi o significado de viver. Ou não. Enfim.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Carta de Adeus

Sonhei um dia vê-lo acordar sorrindo, como num dia distante já esquecido na memória, te vi. Gostaria de vê-lo rindo do sol, sem brigas com o despertador. Um dia quero vê-lo feliz!

Sempre me atrapalhei, foram difíceis tempos de mal-entendidos - você saiu ferido em seu coração, eu sei. Minhas tentativas de demonstrar carinho e apoio foram vagas, o trabalho e a preocupação que te deixaram exausto permanentemente por minha causa foram gritantes.

Claro, os tempos foram difíceis e muitas noites, quando você achava que eu dormia e permitia que seus temores tomassem forma eu pensei em te deixar e assim tirar o maior fardo de suas costas... desculpe, fui fraca e egoísta o suficiente para me permitir uma noite a mais e noite após noite eu menti para mim mesma prometendo que seria a última - promessas vagas, como tudo o que fiz.

As noites de tempestade demoraram a passar, mas a bonança veio enfim. Não vou mentir - não agora, quero pela primeira vez lhe falar com toda a minha verdade e franquesa, até porque é a última vez que te falo - a bonança afastou de mim qualquer vontade de ir embora. Tola! Demorei a perceber que eu não só acentuei suas angústias, pior que isso, eu atenuei suas alegrias - e por isso peço desculpas.

Tantas vezes que já perdi a conta desejei morrer para deixar a última lembrança de felicidade viva (mesmo que falsa felicidade), queria para mim a salvação das dozenlas: a morte.

Você me disse vezes sem fim a sua dor, desabafou e pediu; em minha pequena compreensão do mundo escutei tudo calada sem ao menos ouvir. Aos seus rompantes eu chamei "exageiro", "mau gênio" ou "nervosismo", sim, seus momentos felizes, quando você se iludia dando-me o crédito serviram para massagear meu ego e continuar neste "conto de fadas" as avessas.

Sinto por tudo. Hoje posso ver sem as névoas que deturpavam minha visão anos a fio. Tudo resume-se no tic-tac do relógio, é inevitável e já não era sem tempo de você ser livre e feliz, lento tic-tac. Toda a minha felicidade passou rápido, posso dizer que dificuldades também foram milésimos de segundo se comparadas a isto. A verdadeira dor nos atinge no íntimo da alma e como veneno se espalha lenta e certeiramente, amordaçando nossos nervos. Este corpo pesado só temo que lhe é merecido. Há cores que se derramadas podem alterar todas as bases e eu sou esta cor no seu mundo.

Agora que posso visualizar seu futuro de paz, enquanto sigo em uma direção oposta, peço um último perdão: sei que não mereço mas a vida parecer permitir-me a salvação das donzelas - enfim! Quem sabe eu seja mais parecida com Capitu do que com Lucíola, o fim chegou tarde demais para salvar minha alma, mas protegerei se possível o que este fim está salvando da sua.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Anjo Errante

Era uma vez um anjo que queria ir para casa mais cedo naquela incrivel tarde de sexta-feira. Todos os seus amigos haviam cumprido a cota há horas e só ele ainda tinha trabalho a fazer. Trabalhava já há dois anos no departamento de renascimentos, guiando as almas e fazendo a programação de suas próximas vidas, conforme seus talentos e necessidades. E foi assim que, por causa do tal do "happy-hour", eu nasci no dia, lugar e corpo errado.

Este anjo preguiçoso, cujo nome me comprometi a guardar em segredo (fiz um acordo com os superiores, expô-lo poderia gerar grandes manifestações de indignação), deveria me preparar para a reencarnação. Infelizmente, para mim, naquela sexta-feira o anjo dormiu até mais tarde, seu despertador aureolar descarregou devido a uma tempestade que se deu na madrugada, de forma que ele perdeu a hora. Com esse imprevisto o anjo não pôde fazer o horário de almoço às treze horas como de costume e assim seguiu com fome no trabalho a tarde. Porém, trabalhar durante o almoço não foi suficiente para agilizar suas ordenações daquele dia, porque seu primeiro caso havia sido muito complicado. Uma senhora que necessitava reencarnar se negava veemente, afirmando que pertencia ao mundo dos anjos, que na verdade era muito melhor que todos os anjos juntos e ela, somente, deveria servir ao Superior.

Casos como este são realmente difíceis de contornar. Para um dia difícil nada melhor que um problema difícil! Pobre anjo teve usar toda a sua paciência para convencer a mulher a embarcar no carro reencarnador, usou inclusive de um ofício direto do alto departamento que solicitava, quase coercitivamente, que a mulher embarcasse antes do meio-dia. Felizmente o problema foi resolvido, mas com isso a programção diária se viu toda atrapalhada e na falta do almoço lá se foi o anjo sonhar com o happy-hour e deliciosas porções de nuvens negras tostadas.

Eu, na minha grande insignificância, era o último caso do dia, ou melhor, da semana. O anjo com fome e cansado leu meu nome na ficha 57901, mas apanhou a ficha 57091 - foi ai que tudo começou.

Sempre fui uma alma solitária. Em minhas encarnações vaguei pelo mundo, fui andarilho, pastor, pensador... sempre e sempre sozinho. Uma alma assim se solidifica só. Em minha próxima existência deveria eu encarnar como um poeta boêmio. Minha companheira única seria uma garrafa de Rum barato. Conheceria todos os bordéis e tabernas, mas somente me sentiria completo no recanto de um quarto mofado, solitário, escrevendo poemas que ninguém haveria de ler, mas me renderiam alguns poucos trocados que eu trocaria em bebida ao invés de pão.

O anjo cansado e de má vontade me botou num corpo feminino, cheio de não me toques, numa cidade pequena onde eu cresceria rodeada de gente que me queriria bem. Assinou abaixo do protocolo e correu para a sua vidinha de fim de tarde com seu time de futeaureolas. Eu viajei para o mundo pensando que acordaria conforme o programado, afinal após dois mil anos de espera na fila, o corpo errado seria a última das minhas preocupações.

Durante minha vida sempre tive meus rompantes. Dos doze meses do ano sempre precisei me trancafiar no quarto por pelo menos uns três, sozinho no meu recanto. Era assim que eu podia depois da minha "hibernação" retornar ao mundo e ser feliz, conviver normalmente em sociedade. Meus pais diziam que eu era apenas uma rebelde, mal sabiam eles que era algo muito mais profundo.

Por volta dos treze anos as coisas foram ficando mais claras para mim. Até este meio tempo fiz poucos amigos, alguns para todo o sempre, outros apenas para boas risadas. Já minha produção literária, embora crescente, sempre medíocre (alguma coisa seguiu conforme o planejado!). Quando todos a minha volta começaram a se interessar por romances, lá estava eu descobrindo estantes de clássicos empoeirados na biblioteca. Com 15 anos já sabia qual seria o meu futuro: Eu seria uma daquelas velhas de cabelo branco que nunca se casaram, moram numa casa cheia de gatos, que no meu caso seria cheia de livros, claro.

Mas, graças ao anjo minha programação fora mudada e embora eu tentasse e tentasse seguir o plano, isso ficava cada vez mais difícil. Casei. E por muitas e muitas vezes eu pensei que acabaria me separando antes de ter filhos, porque eu levava mais jeito para solteirona. Tive filhos. E por muitas e muitas vezes pensei que acabaria me separando, sendo uma daquelas fortes mulheres que criam os filhos sozinhos, que no fim eles teriam um futuro brilhante longe da mãe e eu seria praticamente como uma solteirona.

Muito embora meus filhos demonstrarem grande capacidade, nenhum deles foi muito longe da mãe. Meu marido não me abandonou. Eu me concentrei exaustivamente na tarefa de esposa e mãe e não me afoguei em nenhuma garrafa de rum, vinho ou vodka. Também não foi o caso de eu me tornar uma grande escritora. Dediquei toda a minha habilidade da escrita para petições perfeitas e recursos plausíveis, que me renderam dinheiro suficiente para não precisar morar atrás de um bordel, num quarto mofado.

E foi assim, que aos 79 anos (apenas 50 anos mais tarde do que o que deveria ser e nunca foi) eu morri. Rodeada por uma família, amigos, um pouco de dinheiro e uma vida feliz. Embora tenha tentado muitas vezes voltar para o plano original (apesar de não saber, conscientemente, que era isso que eu tentava) consegui seguir o curso dessa vida de surpresas, que em todos esses milhões de anos eu nunca havia experimentado. No começo foi difícil, alguma coisa me faltava, mas trabalho, filhos, casa, o layout de um “sonho americano” toma tempo e aos poucos fui me esquecendo do vazio e o enchendo com outras coisas.

Chegando ao céu fui recepcionada pelo anjo programador que me aguardava ansiosamente. Durante todos esses anos ele esteve em observação, aguardando pelo meu relatório para ser demitido. Mas, após tanto tempo o que eu poderia escrever? Mesmo se eu tivesse tido uma vida triste e sofrida, depois de morrer novamente não importaria mais, escrevi o relatório e acabamos num happy hour, no fim da tarde, no bar da nuvem dois.